—Sabes tu, Silva, que me está dando bastante cuidado o futuro de Rosa!

—Deixa-te disso. Não tens tu, em minha mão, um bom patrimonio que lhe dês?! Acho que vinte mil cruzados, afóra o juro de cinco por cento, ha dez annos, capitalisado no proprio, a vencer até que ella faça os vinte e cinco, acho eu que é um dote de lhe tirar o chapéo.

—Bom dote é; mas isso não é o que me dá cuidado. O que eu queria para minha filha é um bom marido...

—Ó homem, já tratas disso!? Que idade tem a tua filha?

—Tem onze annos; d'aqui a três é mulher, e póde talhar futuros por sua conta e risco. É o que eu não quero. A pequena está em mestra-de-dentro; mas isto de mestras ensinam a cozer e a bordar, mas não sabem adivinhar o coração d'uma rapariga, que... emfim, Silva, vou ser franco comtigo...

—Diz, padre Leonardo...

—Que é filha de tal pae e de tal mãe... Eu tenho sido o que tu sabes...

—Isso lá é verdade... tu tens sido levadinho da breca com o gado de contrabando...

—E a mãe, se queres que te diga a verdade, tinha uma perfeita embocadura...

—Diz-m'o a mim, Leonardo! Era uma namoradeira dos quatro costados... Mas, emfim, está casada, e já não é a mesma.