—Da...?

—Sim... da Anna do Carmo... aquella mocetona que morava comtigo na rua Direita, aqui ha dez annos...

—Não sei... não me recordo... não sei de quem me fallas... adeus... até outro dia...

—Espera homem—disse o padre inexoravel ao confuso arcediago que suava em janeiro como o seu amigo Silva no mez de agosto, por vêr alli tão perto o francez, que não perdia uma palavra do dialogo.—Espera... não te confundas, que eu não quero confundir-te. Isto é conversar como amigos... Eu já sabia que foste honrado com a rapariga, e que a casaste com um bom dote... Uma fraqueza não desacredita ninguem... David tambem peccou, e S. Pedro negou o mestre.

—Dizes bem, João, adeus, até outra vez...

—Então... até outra vez.

Padre João não comprehendeu a afflicção do arcediago. A ultima despedida disse-lh'a, quando elle de repente lhe voltou as costas, por não poder conservar-se com a cara voltada para o francez que lhe não desviava os olhos d'ella.

Já escanchado commodamente sobre o albardão da égoa somnambula, o antigo conhecido de Anna do Carmo, voltando-se para o livreiro, disse, sorrindo:

—Vê que tal é o amigo? Olhe como elle se atrapalhou quando eu lhe fallei na moça...! reparou?

—Reparei... reparei...