Tudo se passou sem novidade; só de quando em quando D. Euzebia mostrava por gestos e exclamações o seu desapontamento por encontrar menos dinheiro, do que imaginava.

Quando se abriu a caixa, que pertencia a Rosa, não foi uma exclamação de surpreza, que D. Euzebia soltou, mas sim de raiva, na qual se divisava um accento de triumpho.

--Bem certa estava eu,--disse ella--que esta velhaca havia de ter empalmado alguma cousa. Ah! se eu não viesse logo... o que teria acontecido. Examinai, senhor escrivão, o que é que ahi existe.

O escrivão tirou da caixa um magnifico vestido, que, a julgar pelo tamanho, não pertencia de certo a Rosa.

--Dize velhaca,--tornou D. Euzebia--como é que este vestido veio aqui parar?--Não preciso perguntal-o, porque a culpada está-se denunciando pelo rubôr, que lhe cobre as faces.

--Senhora D. Euzebia--disse o juiz--o seu proceder para com esta criança é digno de censura. Ainda, até agora, não encontramos cousa alguma, que fizesse, nem ao menos, suspeitar de sua probidade. Deixai-a portanto dar-me as explicações, que tiver a fazer.

Responde Rosinha,--disse o juiz com modo affavel--como é que este vestido se acha na tua caixa?

Rosa fez-se muito corada e respondeu:

--Este vestido, senhor, foi comprado com as minhas economias.

--Que é; que é?--interrompeu D. Euzebia.