--Senhora--disse severamente o juiz--ordeno que vos caleis.
--É bem publico e sabido, que eu, durante o verão, fazia cestinhos de flôres, que ia vender ás casas abastadas dos arredores.
Quasi sempre me davam, como presente, mais do que o custo dos cestos: entregava-me a snr.a D. Thereza, para guardar no meu mealheiro, estas pequenas quantias, que reservei com muito cuidado para poder brindar a snr.a D. Thereza no seu dia natalicio.
Estava muito indecisa, por não saber o que lhe devia offerecer, e foi a minha avó, que me suggeriu a idéa de lhe comprar um vestido. Para levar a effeito este meu desejo combinei em segredo, com a costureira da snr.a D. Thereza, para o fazer, e estou muito certa de que a minha bemfeitora não despresaria a minha offerta, se tivesse a felicidade de lh'a apresentar.
Esta explicação, simples e clara, que demonstrava um coração sincero e grato, fez borbulhar as lagrimas nos olhos de todos os circumstantes. Devemos comtudo excluir d'este numero D. Euzebia, que presistia em negar a verdade.
Quando se encontraram as duas inscripções, D. Euzebia chegou ao auge do desespero e da colera, e de boa vontade as inutilisaria, se lhe fosse possivel obtel-as á mão; mas, felizmente para Rosinha, não pôde conseguil-o.
Finalmente, pelos cuidados e protecção do juiz eleito, Rosa e sua avó, apesar de todos os obstaculos e vontade de D. Euzebia, receberam tudo o que lhes pertencia, e deixaram sem maior desgosto a casa, de que a mais cruel e mais requintada avareza as expulsava.
XI.
Estamos no anno seguinte.
Rosa escreveu á viscondessa do Candal e a sua filha uma carta tão affectuosa e consoladora, que fez despertar em D. Julia um vehemente desejo de tornar a vêr a sua querida discipula e protegida.