--Meu querido anjinho, que Deus te pague tudo o que me fazes.
Chegaram finalmente a S. Cosme, á quinta de D. Thereza de Sousa, depois de mil esforços, que cançaram completamente avó e neta.
Era tempo; mais um instante e teriam cahido ambas no chão. Entrando na cozinha da casa, o calor produziu-lhes uma reacção tão violenta, que desfalleceram.
II.
D. Thereza de Sousa, e mais algumas visinhas, que se tinham reunido para serandar, acercaram-se das duas infelizes. Depois de lhe ter ministrado todos os cuidados necessarios para as reanimar, como o seu principal mal era a fome, mandou-lhe dar um bom caldo, e acommodal-as a um dos cantos do lar, em que ardia uma grande fogueira.
--Agora, Rosinha,--disse D. Thereza, ameigando-a,--conta-nos, como a esta hora, e com este tempo vieste até aqui com esta boa mulher.
--Desculpai, minha boa senhora,--disse a cega,--Rosinha é minha neta.
--Sim, snr.a D. Thereza, é minha avó, de quem tantas vezes tenho fallado a v. exc.a e...
--Então porque não continuas?--lhe replicou D. Thereza.
A pequena levantou para D. Thereza os seus lindos olhos azues, com uma tal expressão de supplica, que a commoveu.