(Guterres pega da viola, preludía, aproxima-se do quarto de Victorina e canta em postura de inspirado)

Eu na Povoa descuidado
Já não sentia disvelos;
Eis que surges, luz brilhante,
E eu te sigo até Barcellos.

{185} Acorda, menina,
Não durmas agora,
Em quanto se fina
De dôr quem te adora.

Victorina, escuta os hymnos,
Que te canta o meu amor;
Escuta os versos divinos,
De Guterres, trovador!

Acorda menina,
Não durmas agora,
Em quanto se fina
De dôr quem te adora.

(Escutando declama:)

SCENA XIV

JOSÉ PIMENTA, GUTERRES, VICTORINA, NO QUARTO E DEPOIS NA SCENA, ANICETO MAIS TARDE, E O CREADO

(José Pimenta entra embuçado, medindo os passos á tragica. Chega ao meio da scena, arroja o chapéo, deixa cahir a capa, cruza os braços, relançando um olhar sinistro. Depois tira da algibeira interior d'uma jaqueta de pelle os canudos d'uma flauta, liga-os, dá dois passos á frente, e com a maior solemnidade toca a aria da Sombra de Nino, da Semiramis. Guterres tem passado com a viola para o outro lado, e faz menção de se defender com uma cadeira, em quanto o outro não toca. Victorina, assim que José Pimenta tem tocado a primeira parte da aria, começa aos empurrões á porta.)

Victorina (dentro)