Josésinho, Josésinho, eu estou aqui. Acode-me, salva-me! Arromba esta porta! (Aniceto rompe do quarto com os braços no ar, a tempo que Victorina faz saltar a fechadura e corre aos braços de José Pimenta, exclamando:) José, José, quero morrer nos teus braços. Ai! (Desmaia nos braços d'elle.){187}

Aniceto (ao creado que tem entrado com a luz)

Você faz favor de me ir chamar o regedor? chame-me as auctoridades todas. Ah grande facinora, cuidavas tu que em Barcellos não ha justiça que vingue um pae?

Guterres

Snr. Aniceto, não mande chamar as auctoridades. Nada de escandalos inuteis. Agora conheço que a chaga da sua filha só póde ser curada com o pêllo do mesmo... do mesmo José Pimenta. Não ha duvida que o coração d'esta menina está magnetisado pela musica; mas o que é certo é que a propensão d'ella não é a viola. A alma d'esta senhora inclina-se para instrumento de sopro. Não é assim, snr.ª D. Victorina? Faça favor de voltar a si para responder, e desmaie depois se quizer. (Ella abre os olhos) É verdade ou não?

Victorina

Ai! (Aniceto cáe prostrado n'uma cadeira á boca da scena.){188}

Guterres (a Pimenta)

O senhor não tem habilidade senão para a flauta. Aproveite a occasião e vá com a pequena ajoelhar-se aos pés do velho. Andem para diante. (Empurrando-os) Parece que nunca estiveram no theatro!

Pimenta e Victorina (ajoelhando)