Rosa Guilhermina vinha triste.
—Estranho hoje a sua physionomia, minha querida mãe! Que é? teve algum desgosto com o padrasto?
—Não, filha... Como estás?
—Bem vê que estou boa.
—Com lagrimas nos olhos...
—Foi de lêr o meu querido livro... Faz-me sempre este bem.
—Que fizeste hontem, filha?
—O que faço todos os dias. Assisti ás tres missas na capella; dei ao meio dia o jantar aos pobres; de tarde rezei a via-sacra; depois, passei um bocadinho aqui com o padre Madureira; tomamos chá á noite; rezei a corôa de Nossa Senhora, e deitei-me. Hoje fiz o mesmo; esperava minha mãe, e o padre...
—Minha filha, eu entendo que és muito excessiva nas tuas devoções. Padre Madureira já me disse que te fazia mal tanta religião. Tu queres comprehender o incomprehensivel, e prejudicas o teu espirito... e a tua saude.
—Não, mãe. Eu não acho nada incomprehensivel na religião de Jesus Christo. Leio muitos livros mysticos, porque não tenho outro recreio, nem o quero; rezo muito, porque não devo ser ingrata aos beneficios que Deus me faz, e peço á sua divina vontade continue a fazer-m'os. Com isto não sou pesada a ninguem...