—E que invenção é essa de trazer as contas por fóra do lenço?
—Pensei que não importava trazêl-as assim, ou de outro modo.
—De certo, não importa; mas poderá alguem chamar-te visioneira.
—Alguem! Eu não conheço ninguem. O padre Madureira não me diz nada; a mãe de certo se não ri de mim; os outros, ainda que me vissem, não me envergonhavam com a sua zombaria... A mãe não acaba de crêr que me não importa nada o mundo?
—Nem queres que te fallem em cousas do mundo?
—Se me affligem, não... Queria dizer-me alguma cousa?... Vejo-a triste, e quer desabafar comigo... Diga o que tem...
—Uma afflicção que tu não imaginas... e não devo dizer-t'a...
—Se não deve dizer-m'a, terrivel cousa é! Então, não posso eu consolál-a...
—Se eu soubesse que te não affligias...
—Isso não prometto, mãe; mas, ainda que me afflija, quero soffrer comsigo.