—Aquelle está bem morto, minha senhora.

—Então rezemos: Padre nosso, que estaes nos ceos, sanctificado seja o vosso nome... Não posso... Reze, senhor padre Joaquim... Eu estou muito afflicta... Quero tomar ar... Anna... quero-me vestir... Traz-me o meu vestido de seda preta de manga curta; os meus canhões de velludo preto; o meu lenço de ramos amarellos; a minha saia de renda; o meu chale de cazemira vermelho...

—Está com o accesso; não traga nada—murmurou o padre ao ouvido da criada.

—Não ouves, Anna? Então! Tambem tu me desobedeces! Ora vamos!

—Vá, vá dar-lhe essas cousas—tornou o egresso, e sahira para que ella se vestisse.

Assucena collocou-se diante do espelho.

—Como são grandes estes cabellos!...—disse ella, puxando dois graciosos pinceis de cabellos, que lhe sahiam dos angulos da maxilla inferior. Procurou anciosa uma tesoura, e aparou-os.

—Agora sim—disse ella com risonha satisfação—Assim estou mais bella para o noivado.

A criada ajudou-a a vestir. Vestida, olhou-se outra vez ao espelho, enfeitando na cabeça desgrenhada o lenço dos florões amarellos, e puxando para a garganta a grade preta do afogado no vestido.

—Agora, vamos.