—Porque... seria peor... seria enganal-o, porque não posso esquecêl-o.
—Desde quando o amas, minha filha?
—Tinha eu dez annos, e elle dezesete...
—Oh filha!—interrompeu a mãe, sorrindo—isso não era amor!
—Não sei o que era... era amizade... nunca o esqueci... E quando o vi, depois de oito annos, vi tudo que me era mais caro na vida, depois de minha mãe...
—E disseste-lh'o?
—Nunca... mas, se elle m'o perguntasse, dizia-lh'o. A razão não me crimina d'este affecto de irmã...
—Quem sabe, filha!... Talvez, mais tarde... outra{44} razão, a da experiencia, venha desmentir a que te falla hoje...
—Penso que não... Hei de seguir sempre os conselhos de minha mãe. Farei tudo o que posso. Se é possivel esquecêl-o, empregarei todos os esforços para isso. Diga-me a mãe quaes elles são.
—Terrivel pergunta!—disse a filha do arcediago, no fundo da sua consciencia.