—Venho aqui para combinarmos a maneira de remediar esta desventura.
—De que maneira?—exclamou a viscondessa.
—Esse desgraçado escreve-me uma carta... Eil-a aqui: visconde... Leia, que eu não posso.
—Nem eu!—disse bruscamente o visconde—que me importa a mim a carta de seu filho? Não tenho nada com elle: entendam-me d'uma vez para sempre.
—Eu leio...—disse Rosa tomando a carta com soffreguidão.
Lendo-a, fechou-a, e disse a João da Cunha:
—É impossivel.
—Impossivel!
—Meu marido não dota Assucena, e, portanto... minha filha... está perdida!
—Perdida? não!—atalhou João da Cunha—Em minha casa ha umas sôpas; e, em quanto eu viver, meu filho aprenderá o officio de sapateiro para não morrer de fome, depois da minha morte. Eu vinha aqui pedir uma esmola para o futuro de Assucena; não venho pedir o preço da reparação da sua honra. É preciso que me entenda, senhor visconde. Meu filho é neto dos Cunhas e Faros. Não mercadeja com a deshonra das suas amantes; não calculava com as suas migalhas quando arrancou a filha d'esta senhora aos braços da virtude...