—Está bom, está bom—obviou elle—não discutamos edades. O que se segue é que ambos envelhecemos: razão de mais para justificar a toleima dos teus zelos e desconfianças… Não posso demorar-me, que já ahi está a liteira, e a jornada de hoje é muito grande. Adeus. Primo Lopo, olha tu se dás juizo a tua prima, e manda-me no que quizeres em Lisboa.

—Parece-me que me não pões mais os olhos, Calisto!—clamou ella com profunda angustia.

—Adeus, adeus, minha tola; não penses em tal.

E saiu alegre como o encarcerado da prisão de longos annos. As azas candidas de Iphigenia sacudiam-lhe do espirito saudades e remorsos.

XXXII

*A virtude de Theodora em paroxismos*

Em outubro d'aquelle anno, a friza dezeseis do theatro de S. Carlos expoz uma cara desconhecida de todos, excepto de alguns raros rapazes da nata social que a tinham visto de relance, entre as aves e flores de Cintra.

Era Iphigenia, a formosa do novo-mundo, que uns chamavam a feição genuina da Circassia, outros a romana herdeira do perfil correcto das Faustinas e Fulvias; e os mais circumscreviam a sua admiração á mulher dispensando-se de lhe esquadrinhar o typo.

De feito, Iphigenia era belleza das que sómente se assimelham propriamente a si.

Ao lado d'esta mulher estava um homem, cuja nobre e fidalga presença abonava e encarecia a qualidade da dama: era o morgado da Agra de Freimas, Benevides de Barbuda.