—Essa pessoa está fóra de Lisboa, creio eu—disse o deputado—pelo menos pediu licença ás camaras para retirar-se.
—Iria para casa?—perguntou o velho.
—Creio que não. Então o senhor é tio d'elle!
—Sou tio d'elle em terceiro gráo, e sou irmão do pae da esposa d'elle.
—Pobre senhora! Murmurou compassivamente o padre.—Ella perdeu um excellente marido e o partido legitimista um strenuo defensor.
—Então meu sobrinho—atalhou Paulo—já não é legitimista?!
—Qual! fez-se um malhado acerrimo. Está com esta gente, e demais a mais fez-se governamental!…
—Oh! que maroto!…
—E tudo isto, meu caro senhor, deve-se á desmoralisação de uma mulher, que lhe tirou o juizo e a dignidade, e lhe ha de dar cabo da casa. Apresenta-se com ella nos theatros, e tem-na em palacete com carruagem montada, e lacaios e estado de princeza. E a pobre senhora lá na provincia a economisar as rendas, que elle está por cá delapidando!…
—Minha sobrinha veiu comigo—observou o velho.