—O que d'ahi infiro—disse sarcasticamente o conde—é que v. ex.^a procede de um filho natural.

—A mãe do filho natural era abbadessa de Vairão, da familia dos
Alvins—redarguiu triumphantemente Calisto.

—Coito damnado!—retorquiu o conde.

—Discutamos esses pontos graves—voltou serenamente o morgado da Agra, tomando rapé.—A decima segunda avó de v. ex.^a Jeronyma Talha, era judia de Cezimbra, e esteve como covilheira dos sobrinhos de um Heitor de Barbuda com quem casou. Sua tresavó enviuvou sem filhos e casou com um filho do capellão. D'este matrimonio nasceu seu avô Luiz de Almeida de Barbuda, que foi o primeiro conde do Reguengo. Reconciliemo-nos, sr. conde, em quanto ao sangue de coito damnado, se v. ex.^a quer emparelhar o filho do padre com a abbadessa de Vairão, tia da mulher de Nuno Alvares Pereira por Alvins.

O conde ergueu-se accendido em raiva, e disse:

—No que não podemos emparelhar, sr. Calisto, é na tolice. Vou-me embora, com a vergonha de ter aqui vindo.

—Não vá, acudiu Calisto Eloy, que eu é que me hei de forrar á vergonha de dizer que v. ex.^a veiu cá.

E, passando a penna de ferro na pagina da chronica, rasgou a linha que dizia Martim Annes de Barbuda.

VIII

*Faz rir o parlamento*