—E com que então galante?
—É uma imagem de cera. V. ex.^a ha de vêl-a. E então elegante! A cintura cabe aqui, proseguiu D. Thomazia, formando um annel com dois dedos. Eu, quando ouvi parar uma carruagem, cuidei que era v. ex.^a e vim abrir as portas do escriptorio. A senhora veiu subindo, e puchou á campainha. Eu espreitei lá de cima, e, a fallar verdade, lembrei-me se seria a sua esposa, que lhe quisesse fazer uma agradavel surpreza. Perguntou-me ella pelo sr. Barbuda de Benevides, e foi entrando comigo para a sala. Levantou o véo, e disse: «Não está em casa?» Que voz, sr. morgado, que voz de creatura aquella!
—E isso a que horas foi? atalhou Calisto. Era por noite alta?
—Não, meu senhor. Eram seis horas da tarde. V. ex.^a tornou ás oito, mas saiu logo; e, quando eu voltei de fazer uma visita, já o não achei para lhe dar esta noticia.
—E depois a senhora que mais disse?
—Mostrou-se pesarosa de o não encontrar, e prometteu de voltar hoje ás tres horas.
—E a sr.^a D. Thomazia saberá o que me quer essa dama?
—Não sei; o que ella sómente disse foi que v. ex.^a era um genio.
—Pois ella disse-lhe isso sem mais nem menos?
—Foi a respeito de vêr aqui estes livros muito grandes, acho eu. Esteve a reparar n'elles com uma luneta… E a graça com que ella punha a luneta!… Mulher assim!… Os homens ás vezes por mais asneiras que façam, teem desculpa!…