—Os dois primeiros homens que se encontrarem. O primeiro já eu vi.
—Quem? diga-o, para lhe enviar os meus.
—É um pintor: chama-se Leopoldo Roberto.
—Lá me quiz parecer! disse o marquez gargalhando uma risada secca.
—Que lhe quiz parecer a vossa excellencia?!
—Que os seus padrinhos haviam de ser pintores ou cousa que o valesse...
—A coarctada é miseravel, senhor marquez! vossa excellencia é um covarde, que não vale o desprezo do pintor.
O marquez de Tavira levou as mãos ás proprias respeitaveis barbas. Puchou as mechas a um lado e outro com tregeitos muito de incutir terror em almas fracas. Deteve-se um pouco n'esta operação minacissima, e tirou do peito alfim estas memorandas coisas:
—Villão seria eu se expozesse a minha vida ao revez de sujar-me com tal competidor! Precisamente o senhor é um aventureiro, que anda a farejar mulher dotada cá por paizes onde lhe não conhecem a suja betesga d'onde saiu. Lá na patria sabem-lhe o nome, ou ninguem lh'o sabe, é mais acertado dizer!... Convinha-lhe a filha de Bartholo de Briteiros? Que atrevimento de ambições o seu! Afinal, que espera colher d'esta aventura?... A correcção dada por um lacaio de meu primo!
—Se o lacaio tiver mais coragem do que vossa excellencia, em cujos hombros assentaria cabalmente a farda.