Bartholo e o marquez de Tavira davam-se os embora do feliz exito da sua falcatrua. Viam Paulina alegre, dada a bailes e a theatros, com bom rosto para o proprio marquez, e nem por sombras magoada d'alguma fugitiva saudade! O fidalgo continuava sempre a dizer «que as mulheres eram assim». E o pae de Paulina admirava a esperteza e acume seu futuro genro.

Raro dia faltava á menina carta de Fernando, por intervenção do secretario da legação, que acintemente acceitara o conhecimento do marquez de Tavira, para mais de perto collaborar na derrota do Bartholo.

Paulina entretinha horas de conversação com o amigo de Fernando, intervaladas por troca rapida de palavras concernentes ao intento que os approximava. No animo do fidalgo já a suspeita se ia ingerindo: a assiduidade das visitas do secretario incommodava-o, e tinha-o de atalaia. O marquez inquietava-se não menos que o primo. Acordaram os dois em dar de mão ao visitante diario d'algumas horas. Mas, nos bailes ou nos theatros, o secretario era o flagello dos dois olheiros, que se viam baldeados, como lá dizem, entre Scylla e Charybdes.

Assentou Bartholo em ser pae severo. Apresentou-se á filha. Ia de catadura horrida. Dir-se-ia que empunhava a penna para assignar um accordão de pena ultima.

—Paulina!—disse.

—Meu papá.

—Vamos a contas.

—A contas?!

—Que quer dizer a pertinacia d'este homem, que te não deixa?

—Qual homem, meu papá?—disse ella, pensando que Fernando fôra descoberto no seu esconderijo.