—Que estão a fazer, não ouvem?!—replicou Bartholo examinando a roupa dobrada.
Acudiu-lhe uma atroz suspeita. Fez-se côr de terra. Dilataram-se-lhe em arqueijos as azas do nariz. Raiaram-se-lhe os olhos de linhas sanguineas. Correu ás gavetas dos toucadores e das commodas; remexeu tudo, revistou tudo impetuosamente, e exclamou:
—As caixas das joias!? As tuas joias, Paulina, e as tuas, Eugenia? Onde estão cem mil cruzados de brilhantes de vossa mãe?
Paulina cravou os olhos no chão, perdida a côr, e quasi os sentidos. Eugenia, mais fraca de compleição, e muito timorata, cahiu em joelhos, e exclamou:
—Perdão, meu pae!...
—Roubado! roubado!—bradou o velho—roubado por minhas filhas!
E saiu em vertiginosa corrida e a brados por a casa fora, até entrar na sala onde estava o alcaide.
Paulina, logo que o pae sahiu, disse á irmã:
—Tu és uma miseravel se descobrires alguma cousa. Não pronuncies o nome dos desgraçados, Eugenia! Ainda que nos matem, salvemo-los a elles!
D'ahi a instantes, foram as meninas chamadas á sala, e interrogadas. Nenhuma resposta deram ás perguntas do alcaide. Ás do pae respondiam, principalmente Paulina: