Almeida tinha saído com o ministro para o Aranjuez, para voltar quatro dias depois. Fernando queimou as cartas de Paulina, lendo as primeiras de Florença, quanto as lagrimas lh'o consentiam. Enfardou o seu fato. Comprou passagem na primeira diligencia em direcção á fronteira de Portugal, e mandou entregar a sua ultima carta a Paulina, ao embarcar-se na locomotiva.

Almeida, recolhendo do Aranjuez, encontrou este conciso escripto:

«Vou vêr o pobre artista, e a pobre companheira do artista, que não tem culpa dos meus infortunios.

«Com as mãos erguidas te rogo que não digas a alguem o meu destino.

«Terás as minhas cartas regularmente, em quanto viver.

«Graças, meu amigo, pelo coração de irmão que me déste. A recompensa é este chorar que me tolhe poder escrever-te mais. São as ultimas lagrimas do teu Fernando.»

[XIX]

DE FERNANDO GOMES A HYPOLITO DE ALMEIDA

Lisboa, 4 de agosto de 1842.

«Meu presado amigo.