—Eu creio que Thereza nunca recebeu cartas de matadores, nem supponho que as receba d'ora em diante.
—Não sei se sabe, nem senão. Eu vigiarei o convento. A criada, que está com ella, ponham-na fóra, percebeu?
—Porquê?—redarguiu a prelada com enfado.
—Porque a encarreguei de me avisar de tudo, e ella nada me tem contado.
—Se não tinha que lhe dizer, senhor!
—Não me conte historias, prima! A criada quero vêl-a sahir do convento, e já!
—Eu não lhe posso fazer a vontade, porque não faço injustiças. Se v. s.^a quizer que sua filha tenha outra criada, mande-lh'a; mas a que ella tem, logo que deixe de a servir, ha muitas senhoras n'esta casa que a desejam, e ella mesma deseja aqui ficar.
—Tenho entendido!—-bradou elle—querem-me matar! Pois não matam; primeiro ha de o diabo dar um estoiro!
Thadeu de Albuquerque sahiu em corcovos do atrio do mosteiro. Era hedionda aquella raiva que lhe contrahia as faces incorreadas, revendo suor e sangue aos olhos acovados.
Apresentou-se ao intendente da policia, pedindo providencias para que se lhe entregasse sua filha. O intendente respondeu que não solicitava competentemente taes providencias. Instou para que o carcereiro da cadêa não deixasse sahir alguma carta de um assassino, vindo da comarca de Vizeu, por nome Simão Botelho. O intendente disse que não podia, sem motivos concernentes a devassas, obstar a que o prêso escrevesse a quem quer que fosse.