—Como fóra? Quem ha de lançal-a fóra?!

—A senhora, que não póde aqui reter uma filha contra a vontade de seu pae.

—Isso assim é; mas tenha prudencia, primo.

—Não ha prudencia, nem meia prudencia. Quero minha filha cá fóra.

—Pois ella não quer ir?

—Não, senhora.

—Então espere que por bons modos a convençamos a sahir, porque não havemos trazer-lh'a a rastos.

—Eu vou buscal-a, sendo preciso—redarguiu em crescente furia.—Abram-me estas portas, que eu a trarei!

—Estas portas não se abrem assim, meu primo, sem licença superior. A Regra do mosteiro não póde ser quebrantada para servir uma paixão rancorosa. Tranquillise-se, senhor! Vá descançar d'esse frenesi, e venha n'outra hora combinar comigo o que fôr digno de todos nós.

—Tenho entendido!—exclamou o velho, gesticulando contra o ralo do locutorio—Conspiram todas contra mim! Ora descancem, que eu lhes darei uma boa lição. Fique a senhora abbadessa sabendo que eu não quero que minha filha receba mais cartas do matador, percebeu?