—Disse-me o que é impossível fazer-se—respondeu ella sem turvação—O primo engana-se: os nossos corações não estão unidos. Sou muito sua amiga, mas nunca pensei em ser sua esposa, nem me lembrou que o primo pensava em tal.

—Quer dizer que me aborrece, prima Thereza?—atalhou corrido o morgado.

—Não, senhor: já lhe disse que o estimava muito, e por isso mesmo não devo ser esposa d'um amigo a quem não posso amar. A infelicidade não seria só minha…

—Muito bem… Posso eu saber—tornou com refalsado sorriso o primo—quem é que me disputa o coração de minha prima?

—Que lucra em o saber?

—Lucro saber, pelo menos, que a minha prima ama outro homem… é exacto?

—É.

—E com tamanha paixão que desobedece a seu pae?

—Não desobedeço: o coração é mais forte que a submissa vontade de uma filha. Desobedeceria, se casasse contra a vontade de meu pae; mas eu não disse ao primo Balthazar que casava; disse-lhe unicamente que amava.

—Sabe a prima que eu estou espantado do seu modo de dizer!… quem pensaria que os seus dezeseis annos estavam tão abundantes de palavras!…