—Não são só palavras, primo—retorquiu Thereza com gravidade—são sentimentos que merecem a sua estima, por serem verdadeiros. Se lhe eu mentisse ficaria mais bem vista de meu primo?

—Não, prima Thereza; fez bem em dizer a verdade, e de a dizer em tudo. Ora, olhe, não duvída declarar quem é o ditoso mortal da sua preferencia?

—Que lhe faz saber isso?

—Muito, prima: todos temos a nossa vaidade, e eu folgaria muito de me vêr vencido por quem tivesse merecimentos que eu não tenho aos seus olhos. Tem a bondade de me dizer o seu segredo, como o diria a seu primo Balthazar, se o tivesse em conta do seu amigo intimo?

—N'essa conta é que eu o não posso já ter…—respondeu Thereza, sorrindo e contando, como elle, as syllabas das palavras.

—Pois nem para amigo me quer?!

—O primo não me perdoa a sinceridade que eu tive, e será de hoje em diante meu inimigo.

—Pelo contrario…—tornou elle com mal rebuçada ironia—muito pelo contrario… Eu lhe provarei que sou seu amigo, se alguma vez a vir casada com algum miseravel indigno de si.

—Casada!…—interrompeu ella; mas Balthazar cortou-lhe logo a réplica d'este modo:

—Casada com algum famoso ébrio ou jogador de páo, valentão de aguadeiros, e distincto cavalheiro que passa os annos lectivos encarcerado nas cadêas de Coimbra…