—Estava aqui, Marianna?… não se vai deitar?!
—Não vou: o commandante deu-me licença de ficar aqui.
—Mas ha de assim passar a noite?! Rogo-lhe que vá, porque não é necessario o seu sacrificio.
—Se o não incommodo, deixe-me aqui estar, senhor Simão.
—Esteja, minha amiga, esteja… Poderei subir ao convez?
—Quer ir ao convez, senhor Botelho?—disse o commandante lançando-se do beliche.
—Queria, senhor commandante.
—Iremos juntos.
Simão ajuntou a carta de Thereza ao maço das suas, e subiu cambaleando.
No convéz sentou-se n'um monte de cordame, e contemplou o mirante de
Monchique, que avultava negro ao sopé da serra penhascosa em que
actualmente vai a rua da Restauração.
O capitão passeava da prôa á ré; mas com o ouvido fito aos movimentos do degredado. Receára elle o proposito do suicidio, porque Marianna lhe incutira semelhante suspeita. Queria o maritimo fallar-lhe palavras consoladoras, mas pensava comsigo: «O que ha de dizer-se a um homem que soffre assim?» E parava junto d'elle algumas vezes, como para desviar-lhe o espirito d'aquelle mirante.