—Eu não me suicido!—exclamou abruptamente Simão Botelho—Se a sua generosidade, senhor capitão, se interessa em que eu viva, póde dormir descansado a sua noite, que eu não me suicido.

—Mas mereço-lhe eu a condescendencia de descer comigo á camara?

—Irei; mas eu lá soffro mais, senhor.

Não replicou o commandante, e continuou a passear no convez, apesar das rajadas de vento.

Marianna estava agachada, entre os pacotes da carga, a pouca distancia de Simão. O commandante viu-a, fallou-lhe, e retirou-se.

Ás tres horas da manhã Simão Botelho segurou entre as mãos a testa que se lhe abria abrazada pela febre.

Não pôde ter-se sentado, e deixou cahir meio corpo. A cabeça, ao declinar, pousou no seio de Marianna.

—O anjo da compaixão sempre comigo!—murmurou elle—Thereza foi muito mais desgraçada…

—Quer descer ao camarote?—disse ella.

—Não poderei… Ampare-me, minha irmã.