Foi o cadaver envolto n'um lençol, e transportado ao convez.

Marianna seguiu-o.

Do porão da nau foi trazida uma pedra, que um marujo lhe atou ás pernas com um pedaço de cabo. O commandante contemplava a scena triste com os olhos humidos, e os soldados, que guarneciam a nau, tão funeral respeito os acurvava, que insensivelmente se descobriram.

Marianna estava, no entanto, encostada ao flanco da nau, e parecia estupidamente encarar aquelles empuxões, que o marujo dava ao cadaver para segurar a pedra na cintura.

Dois homens ergueram o cadaver ao alto sobre a amurada. Deram-lhe o balanço para o arremessarem longe. E antes que o baque do morto se fizesse ouvir na agua, todos viram, e ninguém já pôde segurar Marianna, que se atirára ao mar.

Á voz do commandante desamarraram rapidamente o bote, e saltaram homens para salvar Marianna.

Salval-a!…

Viram-na, um momento, bracejar, não para resistir á morte, mas para abraçar-se ao cadáver de Simão, que uma onda lhe atirou aos braços. O commandante olhou para o sitio d'onde Marianna se atirára, e viu, enleado no cordame, o avental, e á flor d'agua um rolo de papeis que os marujos recolheram na lancha. Eram, como sabem, a correspondencia de Thereza e Simão.

* * * * *

Da familia de Simão Botelho vive ainda, em Villa Real de Traz-os-Montes, a senhora D. Rita Emilia da Veiga Castello Branco, a irmã predilecta d'elle. A ultima pessoa fallecida, ha vinte e seis annos, foi Manoel Botelho, pae do author d'este livro.