—Que lhe importa o senhor quem está?!—disse Balthazar—Se eu tiver um segredo, como o senhor parece que tem o seu n'estes sitios, sou obrigado a confessar-lh'o?!
Simão reflectiu, e replicou:
—Este muro pertence a uma casa onde mora uma só família, e uma só mulher.
—Estão n'essa casa mais de quarenta mulheres esta noite—redarguiu o primo de Thereza—Se o cavalheiro espera uma, eu posso esperar outra.
—Quem é o senhor?—tornou com arrogancia o filho do corregedor.
—Não conheço a pessoa que me interroga, nem quero conhecer. Fiquemos cada um com o nosso incognito. Boas noites.
Balthazar Coutinho retrocedeu, dizendo entre si: «que partido tem uma espada contra dois homens e duas pistolas?»
Simão Botelho cavalgou, e partiu para casa do hospitaleiro ferrador.
O sobrinho de Thadeu de Albuquerque entrou na sala, sem denunciar levemente alteração de animo. Viu que Thereza o observava de revez, e soube dissimular-se de modo que a socegou. A pobre menina, cansada de commoções, viu com prazer erguer-se para sahir a primeira familia, que deu rebate ás outras, menos ao de Castro-d'Aire e suas irmãs, que ficaram hospedados em casa de seu tio, com tenção de se demorarem oito dias em Vizeu.
Velou Thereza o restante da noite, escrevendo a Simao a detida historia dos seus terrores, e pedindo-lhe perdão de o ella não ter advertido do baile, por fcar doida de alegria com a sua vinda. No tocante ao plano de se encontrarem na seguinte noite não havia alteração na carta. Isto espantou o academico. A seu vêr, o vulto era Balthazar Coutinho, e o pae de Thereza devia ser avisado n'aquella mesma noite.