—Não quero reflexões. D'aqui a pouco appareça-me vestida. Suas primas esperam-a para a acompanharem.

Quando se viu sósinha, Thereza debulhou-se em lagrimas, e quiz escrever a Simão. Áquella hora quem lhe levaria a carta? Appellou para o retabulo da Virgem, que ella fizera confidente do seu amor. Pediu-lhe de joelhos que a protegesse, e désse forças a Simão para resistir ao golpe, e guardar-lhe constancia através dos trabalhos que succedessem. Depois vestiu-se, comprimindo contra o seio um embrulho em que levava o tinteiro, o papel, e o massête das cartas de Simão. Sahiu do seu quarto, relanceando os olhos lagrimosos para o painel da Virgem, e encontrando o pae, pediu-lhe licença para levar comsigo aquella devota imagem.

—Lá irá ter—respondeu elle.—Se tivesse tanta vergonha como devoção, seria mais feliz do que ha de ser.

Uma das primas, irmãs de Balthazar, chamou-a de parte, e segredou-lhe:

—Ó menina! estava ainda na tua mão dares remedio á desordem d'esta casa…

—Qual remedio?!—perguntou Thereza com artificial seriedade.

—Diz a teu pae que não duvidas casar com o mano Balthazar.

—O primo Balthazar não me quer—replicou ella, sorrindo.

—Quem te disse isso, Therezinha?

—Disse-m'o meu pae.