—Que vem aqui fazer o nome de uma senhora a este antro de infamia e sangue? Que miseravel accusador está ahi, que não sabe com a confissão do réo provar a necessidade do carrasco sem enlamear a reputação d'uma mulher? A minha accusação está feita: eu a fiz: agora a lei que falle, e cale-se o villão que não sabe accusar sem infamar.
O juiz impôz-lhe silencio. Simão sentou-se, murmurando:
—Miseraveis todos!
Ouviu o réo a sentença de morte natural para sempre na forca arvorada no local do delicto. E ao mesmo tempo sahiram d'entre a multidão uns gritos dilacerantes. Simão voltou a face para as turbas, e disse:
—Ides ter um bello espectaculo, senhores! A forca é a unica festa do povo! Levai d'ahi essa pobre mulher que chora: essa é a creatura unica para quem o meu supplicio não será um passatempo.
Marianna foi transportada em braços á sua casinha, na visinhança da cadêa. Os robustos braços que a levaram eram os de seu pae.
Simão Botelho, quando, em toda a agilidade e força dos dezoito annos, ia do tribunal ao carcere, ouviu algumas vozes que se alternavam d'este modo:
—Quando vai elle a padecer?
—É bem feito! vai pagar pelos innocentes que o pae mandou enforcar.
—Queria apanhar a morgada á força de balas!