—Eu já sei quem recebo em minha casa, e o meu hospede, se tiver memoria dos seus relacionados de ha quinze annos, tambem me vai conhecer.
—Pela voz ainda não—disse eu, encarando-o, sem vislumbres de vaga recordação.
—Alli temos luz—replicou elle—Muito velho e desfigurado devo estar, se nem á candêa me reconhecer vossê!...
Examinei-o á luz attentamente; e, como nem assim me acudisse á memoria semelhança de tal homem, retorqui:
—O senhor talvez esteja enganado commigo. É provavel que nos vejamos agora pela primeira vez.
—Então qual de nós é o romancista? Vossê que os anda a procurar, ou eu que estou manso, quieto, e estupido em minha casa? Quererá vossê ir dizer em alguma novella que encontrou n'um recanto do Minho um visionario chamado Affonso de Teive...
—Affonso de Teive!—exclamei eu—Affonso de Teive... o senhor?! Essas barbas... essa nutrição...
—E estes oculos...—atalhou elle.
—É verdade... esses oculos...
—E estes tamancos!...