—Pois, devéras, o senhor é Affonso de Teive... tu és Affonso... aquelle que tinha em Lisboa...
—Uma casa no Campo Grande, e uma parelha de hanoverianas, e um phaetonte, e uma berlinda, e cavallos arabes, e paixões ideaes, e muitas paixões sem faisca de idéa... Sou eu! É este homem gordo, intonso, de oculos, de tamancos, este lavrador, que aqui vês, possuidor d'um thesouro que os reis do universo disputam ha dezenove seculos uns aos outros, e as nações disputam aos reis, e os individuos disputam ás nações, e cada individuo disputa e destroe em si proprio e com as suas proprias mãos: sabes que thesouro eu possuo, homem?
—A paz?
—A felicidade.
—Isso é uma historia!—atalhei eu—Pois tu achaste a felicidade?... e tu és realmente Affonso de Teive?... E estes dous pequenos?—perguntei eu, quando vi dous meninos entre seis e oito annos a correrem em direitura d'elle—são teus filhos de certo...
—São, e lá em cima não ouves o tropel que fazem os outros seis?
—Pois tens oito filhos?
—Espero o nono brevemente.
—E és...
Retive a palavra. Ia eu perguntar-lhe grosseiramente se elle era feliz com oito filhos; pergunta desculpavel ao Affonso, que eu conhecera desde 1845 até 1851.