—Não disse desproposito nenhum, padre Joaquim—acudiu Fernão de Teive—Pelo contrario, aventou a mais moral e desejavel das sahidas n'estes apertos. Mas o que nós queriamos era soccorrel-o sem que ninguem casasse.
—Parece-me isso justo e exequivel. É mandar-lhe dinheiro por pessoa capaz—respondeu categoricamente o sacerdote.
Fernão, com prazenteiro rosto, acudiu:
—Quer o padre Joaquim ir a Paris? Não temos outra pessoa que o iguale em capacidade.
—Irei ao fim do mundo no serviço de vv. exc.as
—E se o primo Affonso—disse Mafalda—rejeitar o dinheiro?
—Se rejeitar o dinheiro, volto com elle para casa: signal é que lhe não é preciso.
—Se o rejeitar por ser de condição independente, e tomar como esmola o favor do pae?—replicou Mafalda.
—N'esse caso cito-lhe os meus authores nas materias vaidade, soberba e orgulho: e hei-de convencel-o a aceitar o dinheiro.
—Vai o padre a Paris—disse Fernão—Ámanhã parte para o Porto: lá o dirigirão. Prepara tu, Mafalda, a bagagem do snr. padre Joaquim. Tira o necessario para o meu enterro, e manda tudo mais, que encontrares, a Affonso.