—Eu estava a escrever a meu tio Fernão...—disse Affonso...
—No outro mundo sómente se recebem orações, e não cartas—atalhou o padre.
—Morreu meu tio!?—exclamou o moço.
—Lá se foi para Deus aquelle justo. Pouco antes de expirar, deixou-lhe um abraço ao snr. Affonso. A snr.ª D. Mafalda foi a depositaria do abraço...
Affonso escondera o rosto nas mãos a soluçar.
—Elle merecia-lhe essa saudade—continuou o padre—que era muito amigo de v. exc.ª
—Minha desgraçada prima!—exclamou Affonso—que vida vai ser a d'ella n'aquella solidão, sem pae, sem uma alma que a estremeça!...
—Sua prima não está em casa... Está em Paris.
—Como? em Paris!... onde está Mafalda?!
—Na hospedaria, esperando que vamos. Não se demore.