Padre Joaquim entrou n'um fiacre com o guia posto á sua ordem pelo ministro portuguez. Apearam ao portão do predio; perguntaram ao porteiro se o morador do quinto andar, lado esquerdo, estava em casa. Sahiu do interior da loja, residencia do porteiro, o criado de Affonso, o qual, reconhecendo padre Joaquim, lançou-se a elle de modo que o ia afogando ao primeiro abraço.

—Ainda vives, Tranqueira?—exclamou o clerigo—E sempre com o pequenito de Ruivães!?...

—Até á morte, snr. padre mestre!... Pois por aqui? V. s.ª por estas terras?... Que é feito do snr. Fernão? e da fidalguinha?

—Leva-me lá acima, homem, que pelos modos temos que marinhar—atalhou o padre.

—Ponha-se aqui ás minhas costas, que eu levo-o lá, snr. padre Joaquim!—disse o Tranqueira, ageitando-se para ser cavalgado.

—Estás doudo de alegria, velho! Deixa-me ir por meu pé. Vossês cá no paiz da civilisação já andam uns ás cavalleiras dos outros?... Olha lá... não avises teu amo. Quero vêr se me elle conhece ainda.

Affonso estava escrevendo a seu tio Fernão de Teive, quando o padre entrou.

—Veja se se lembra, snr. Affonso!—disse o capellão.

—Lembro!—clamou Affonso erguendo-se a abraçar o clerigo—Vem de Fonte-Boa? Que faz em Paris, padre Joaquim?

—Podemos ficar a sós?—perguntou o clerigo. O Tranqueira sahiu, e o guia, esclarecido em francez por Affonso, retirou-se.