—Com que sim—continuou elle—Em que estava a senhora a malucar?
—A malucar?!—disse Silvina, franzindo a testa.
—Sim, dizia eu, se estava a cogitar n'esta vista do mar...
—Ah! sim... estava...
—A fallar a verdade,—tornou elle, recolhendo-se—isto é uma obra que faz pasmar a gente! O que me dá no goto é isto de crescer e mingar o mar!... A senhora sabe a razão?
—Dizem que é effeito da attracção da lua.
—Da lua!—atalhou com espanto José Francisco.
—Sim, senhor, da lua; é o que dizem os entendedores; mas como se faz o fluxo e refluxo do mar é que eu não sei, nem mesmo me importa saber...
—Da lua!—tornou o commendador, olhando para a abobada celeste, e gesticulando mudamente com os braços, como quem se esforçava por entender a acção da lua sobre a agua, com um imaginario artificio de alcatruzes.—Da lua não póde ser!—disse elle por fim, com a energia e aprumo de Galileu, á sahida do carcere.
—Pois então não seja!—disse Silvina com enfado.