—Porque a lua—tornou José Francisco, com os olhos no céo, e os dedos das mãos afastados entre si—a lua está lá em cima, e...

—E o mar está cá em baixo...—atalhou a menina, espirrando um frouxo de riso.

—Ora ahi está! E a senhora ri-se!? Eu queria que os doutores me explicassem como é que a lua empurra o mar e puxa depois por elle... Ó snr. Guimarães! olhe aqui que vai já.

O snr. Guimarães era o linheiro, que estava a pouca distancia com Francisca da Cunha. Vieram ambos ao chamamento de José Francisco, e ella principalmente attrahida por um tregeito da prima.

—Diga-me cá: vossê sabe como é que a lua faz isto de crescer e mingar o mar?

—Eu não estudei nada d'isso—respondeu o linheiro—mas, em quanto a mim, a maré cresce quando o vento é de mar, e minga quando o vento é de terra.

—Ah! pr'ahi, pr'ahi! diga-me d'isso!—acudiu radioso o commendador.—Mas da lua!... É que estava cá a minha Silvininha a dizer que era a lua. Quem lhe metteu isso na cabeça, menina?

—Foi alguem que estava a zombar de mim!—disse Silvina gargalhando francamente com Francisca da Cunha.

—Isso entendo eu... Agora—tornou José Francisco—se querem ir lá conversar sosinhos, vão, que eu tenho que dizer aqui a esta menina uns arranjos cá da nossa vida de noivos.

Francisca e o homem da rua das Hortas afastaram-se para irem occupar as cadeiras, que deixaram junto d'uma barraca; mas encontraram-nas tomadas por Leonardo Pires e Egas de Encerra-bodes.