Ergueu-se Egas, e Francisca sentou-se, cuidando que Leonardo cederia a sua cadeira a Antonio José Guimarães; mas Leonardo não se moveu, e o linheiro estacou diante d'ambos, com os olhos fuzilantes sobre o da Maya, que assobiava apparentemente distrahido a canção popular, cuja letra é: Muito bem seja apparecido n'esta funcção...
Francisca ergueu-se, e deu alguns passos em retirada. O linheiro, porém, bamboando a cabeça, resmuneou estas palavras, mal ouvidas de Pires:
—O que vossê merecia, sei eu.
—Que regouga?—disse-lhe o da Maya.
—O senhor...—replicou Antonio José—ainda ha-de topar quem lhe dê uma boa lição.
—Vá-se embora—redarguiu Pires—Se não, atiro-lhe areia aos olhos.
—A mim?!—disse com um sorriso azedo o linheiro.
—E enterro-o n'esta praia, como quem enterra um safio pôdre. Vá-se embora, homem, e diga lá á fidalga que não ame parvos, se não quer receber d'estas affrontas.
O linheiro fez um arremesso com a bengala, e Leonardo Pires tomou do chão dous punhados de areia, dizendo com semblante de quem brinca:
—Olhe que vossemecê leva!