Rosa ficou um instante sem saber o que havia de fazer, mas recomeçou ligeiramente o trabalho. Quando ao jantar voltou a casa, contou a D. Thereza o seu encontro de pela manhã, o que lhe tinha acontecido e perguntou-lhe se devia ou não guardar os cinco tostões.

—Não te authoriso a pedir, Rosa, mas isso não é uma esmola, é um presente, que te fazem, podes portanto arrecadar esse dinheiro. Ris-te. Já sei. Esse dinheiro vem a proposito para augmentares o teu mealheiro, com o qual te hei-de comprar um rico jaqué para o S. Miguel.

—Não, senhora—replicou Rosa com a alegria nos olhos—não é esse o meu pensamento, e que me causa tanta alegria.

—Que é então?

—Rogo-vos que me não façaes perguntas; depois o sabereis.

—Guarda o teu segredo, porque sei que não és desgovernada, e que o não has-de gastar mal gasto.

Rosa abraçou ternamente D. Thereza, e foi entregar as suas encommendas de flôres e cestos.

VI.

D. Julia recolheu-se para casa muito tempo depois da hora, que tinha determinado.

A viscondessa, impaciente e sobresaltada com a demora, sahiu, no caminho, ao encontro de sua filha.