O escrivão tirou da caixa um magnifico vestido, que, a julgar pelo tamanho, não pertencia de certo a Rosa.

—Dize velhaca,—tornou D. Euzebia—como é que este vestido veio aqui parar?—Não preciso perguntal-o, porque a culpada está-se denunciando pelo rubôr, que lhe cobre as faces.

—Senhora D. Euzebia—disse o juiz—o seu proceder para com esta criança é digno de censura. Ainda, até agora, não encontramos cousa alguma, que fizesse, nem ao menos, suspeitar de sua probidade. Deixai-a portanto dar-me as explicações, que tiver a fazer.

Responde Rosinha,—disse o juiz com modo affavel—como é que este vestido se acha na tua caixa?

Rosa fez-se muito corada e respondeu:

—Este vestido, senhor, foi comprado com as minhas economias.

—Que é; que é?—interrompeu D. Euzebia.

—Senhora—disse severamente o juiz—ordeno que vos caleis.

—É bem publico e sabido, que eu, durante o verão, fazia cestinhos de flôres, que ia vender ás casas abastadas dos arredores.

Quasi sempre me davam, como presente, mais do que o custo dos cestos: entregava-me a snr.ª D. Thereza, para guardar no meu mealheiro, estas pequenas quantias, que reservei com muito cuidado para poder brindar a snr.ª D. Thereza no seu dia natalicio.