Rosa, por unica resposta, abraçou com ternura a sua bemfeitora.
As lagrimas, que lhe cobriam as faces, diziam bem alto e eloquentemente, o que a commoção lhe embargava nos labios.
Ainda caminharam por mais algum tempo e chegaram ao cemiterio.
A viscondessa do Candal, como tributo á memoria de sua filha, mandára-lhe levantar um lindo e rico mausoléo de marmore branco, no qual ella tambem queria ser encerrada á sua morte. Em volta das grades viam-se alegretes em que haviam violetas, geranios e rosas amarellas, que Rosa cultivava e cuidava com muito esmero, como recordação das flôres com que enfeitára o cestinho, que fôra causa da intima união, que se estabelecera entre ella e D. Julia.
A viscondessa e sua filha adoptiva oraram por muito tempo sobre a campa d'aquella, que tanto tinham estremecido em vida, e que tanto choravam na morte.
Rosa, depois de ter examinado e regado todos os alegretes e pés de flôres, um por um, para que os insectos, ou a seccura os não estiolassem, dirigiu-se á viscondessa.
—Deixo-vos, senhora—lhe disse ella—por um instante. Vou rezar junto da campa de minha avó.
—Tambem quero acompanhar-te—replicou a viscondessa.
Não muito distante do mausoléo de D. Julia se elevava uma cruz simples. Era ahi que jazia, havia dous annos, a pobre cega. Terminára os seus dias socegadamente, bemdizendo a ternura de sua neta, e a caridade affectuosa da sua bemfeitora.
Devido ainda ao zelo de Rosa a campa da pobre cega, adornada com diversas flôres, semelhava um jardimsinho.