Dous mezes depois, a nossa, hoje, D. Rosa de Jesus e Sousa comparecia perante o jury nomeado para proceder ao exame das concorrentes ao professorado. O titulo de capacidade, em grau superior, foi-lhe concedido por unanimidade e com distincção.

XIV.

Dous annos se passaram já, depois que foi conferido a D. Rosa de Jesus e Sousa o seu titulo de capacidade.

Estamos em fins d'Outubro, n'uma casa caiada de branco, que se encontra ao entrar na freguezia de S. Cosme, do lado de S. Pedro da Cova. Na frente ha um pateo largo e espaçoso. Sobre o muro pendem os ramos verdejantes de dous chorões. Nas trazeiras da casa ha um pequeno jardim, muito bem tratado, com as ruas areadas com saibro, e que termina por um caramanchãosinho, que, pelo bem cerrado que está, indica que no verão deve alli haver uma frescura agradavel, auxiliada pela corrente d'uma levada, que corre proximo. Na sala que fica ao nivel do jardim ouve-se um murmurio confuso. Entremos, para examinar a que elle é devido. Que vemos? Grupos de lavradeirinhas, ao todo umas trinta, pouco mais ou menos, vestidas de branco, e tendo todas na mão um raminho de flôres do campo, com um laço de fita. Ao fundo da sala vê-se uma rica imagem de Nossa Senhora da Conceição, collocada sobre um altar, bem adornado com castiçaes de prata, velas de cera e jarras com flôres.

N'um dos lados da sala ha quatro cadeiras de braços; n'uma d'ellas está sentada a viscondessa do Candal, a quem D. Rosa, de pé, junto d'ella, está dizendo os nomes das suas discipulas.

A viscondessa passeia a vista por todas ellas, e conhece-se-lhe na expressão do rosto, que aquelle espectaculo a regosija e encanta.

O modo, porque todas dirigem as vistas para a porta e pelas janellas, indica que se espera alguem.

O abbade da freguezia e o administrador do concelho entram n'este momento pelo portão.

Um sorriso alegre se vê deslisar em todos os rostos. Eram as pessoas por quem se esperava.