—Está bom, está bom, vossê não diga que eu perguntei isto, e pegue lá para matar o bicho ámanhã.—Dizendo, abriu uma bolsa de retroz coalhada de missanga, e tirou trinta réis que deu ao criado com a mão direita fechada, para que a esquerda se não escandalisasse da prodigalidade.

Na manhã do dia seguinte, foi o morgado de Santa Eufemia a casa do brazileiro, e conduziram-o ao seu quarto de dormir, porque José Francisco estava ainda recolhido com a barriga n.º 2 envolta de papas de linhaça.

—Estou aqui emplasmado, senhor morgado—disse José Francisco, arqueando os braços por sobre a esphera abdominal.

—Então o snr. José que tem?

—Mande-se sentar, meu fidalgo. Eu estou aqui com uns calores cá de dentro, que dão que fazer á botica; mas isto, se Deus quizer, não é nada. Pois, meu senhor e amigo, seu pai escreveu-me, como ha-de saber, para eu lhe dar um dinheirito, e depois tornou a escrever-me para eu ir ter aonde a v. s.ª e dizer-lhe que o melhor é ir-se para casa, quanto antes, porque o velho, pelos modos, está lá arrenegado por si. Então, vai ou não vai?

—Por estes dias, irei; mas já já não se me arranja cá a minha vida, snr. José.

—Então o senhor, ainda que eu seja confiado, que tem cá que fazer? Ahi, por mais que me digam, anda derriço... Eu hei-de saber o que é quando fallar com a fidalga de Margaride que o conhece muito bem ao senhor morgado...

—Então o senhor conhece a D. Silvina de Mello?

—Conheço-a como os meus dedos...—respondeu o snr. Andraens, com um sorriso intencional, que passou desapercebido ao morgado.—É bem boa estampa, ó senhor morgado, não é? ora diga a verdade!

—É muito bonita, isso é.