—É muito possivel...—redarguiu a rir o de Matto-grosso—Suba, e verá que não está longe da verdade.

O da Maya circumvagou com a luneta em torno da praça duas vezes, e subiu.

—Então que temos?! Dou-lhe parte que o meu amigo Jorge Coelho não tarda ahi, e que o duello, se os cavalheiros insistirem, ha-de consummar-se.

—Quem falla aqui em duello?—acudiu Egas—Escreva ao seu amigo, e diga-lhe que se deixe estar com a mãi e com o padre lá na sua aldêa, se não quizer vêr Silvina, o anjo de candura, de braço dado com as fronhas carnosas de José Francisco Andraens...

—Quem é José Francisco Andraens?—interrompeu Leonardo.

Egas de Encerra-bodes compelliu o primo a contar a historia, que, d'esta feita, não sahiu com intermittentes de lagrimas. Era de vêr com que graça soez o amante ultrajado ia já apimentando os sarcasmos detraidores de Silvina, e os projectos de cynica desforra que elle offerecia ao parecer dos seus amigos, projectos que, realisados, collocariam José Francisco n'uma situação tão irrisoria como bemquista do siso commum, o qual é uma cousa muito ao envez do que por ahi nos grandes alcouces da opinião publica se denomina senso-commum.

O programma do morgado de Santa Eufemia foi applaudido com razões pouco para se estamparem. Leonardo Pires disse que não avisava o seu amigo para não perder occasião de o ter no Porto alguns dias, e cural-o mais facilmente com a vista do espectaculo hediondo. N'isto, como estivessem os tres á janella, viram assomar no topo da rua de Santo Antonio Silvina, e Francisca da Cunha, seguidas de um criado de farda.

—Ellas ahi vem!—disse Pires, e sahiu a encontrar-se com ellas. O morgado de Santa Eufemia, a rasoavel distancia, quando as damas vinham com os olhos postos n'elle, fez recuar o primo, e fechou-lhes a janella na cara. Silvina ria tanto como a prima, quando Pires, com o chicotinho em arco, e quasi aos pulinhos como funambulo que vai fazer a sorte, se lhe atravessou no caminho, dizendo:

—Criado de vv. exc.as

—O snr. Pires!—disse Francisca toda graça e affabilidade ironica—Faziamol-o no seu chateau... Que é feito de si?