—Conhece a tal Silvina de Mello?—disse Rachel.
—Já a encontrei em algumas partidas na Foz, minha senhora.
—Que idéa fez d'ella? A sua apreciação deve chegar-se muito á verdade.
—Pareceu-me, respondeu o poeta, que era galante, e até mesmo esperta. Ouvi-a declamar acrimoniosamente contra uns folhetins que denomina Felizardas as senhoras provincianas, e pasmei da imprudencia com que desprimorou as damas portuenses, chacoteando-as por um lado que é justamente, a meu vêr, o mais vulneravel da fidalga do Minho...
—Qual é?—interrompeu Rachel com vivacidade. O jornalista, reconhecendo a inconveniencia da resposta ajustada, fez, como por disfarce, esta pergunta:
—Não é certo estar tractado o casamento da tal senhora com um commendador fulano de tal Andraens?
—Assim dizem—respondeu D. Marianna—pelo menos cuido que...
—Parece-me que não é anno de fortuna para ella... atalhou o snr. Manoel Pereira, coçando a verruga media da aza esquerda do seu nariz.
—Por que?—disse Rachel olhando de través o marido.
—Por que o meu amigo commendador, desde que foi o baile do visconde dos Lagares, nunca mais se levantou, e vai cada vez a peor. O homem já soffria molestia interior, e comeu tanto á ceia, que esteve a rebentar-lhe a tripa... Ainda ha quem queira bailes!... Se elle estivesse em sua casa...