—Alguem é...—responderam as freiras.

—Quem eu procuro, e com quem preciso fallar, é a senhora que professou ha pouco. Não conheço mais alguem n'esta casa.

—Pois queira subir...—disse o padre capellão do mosteiro, que n'este momento viera collocar-se ao pé de Francisco Salter—Eu acompanho v. s.ª á grade onde o esperam—continuou o padre, dando-lhe o braço, e guiando-o automaticamente para a grade, onde o estavam esperando.

Mendonça encontrou na grade uma freira desconhecida: era soror Rufina.

—Creio que não lhe será desagradavel—disse ella—encontrar uma tia de Carlota.

—Quizera antes, minha senhora, encontrar sua sobrinha.

—É impossivel; minha sobrinha não dá accordo de si, nem dará tão cêdo. V. s.ª devia presumir isto mesmo, antes que lh'o dissessem.

—Por que, minha senhora?!

—Porque minha pobre sobrinha o julgava morto, todas nós as amigas da infeliz o julgavamos como ella: eu mesmo agradeço a Deus as forças que me dispensa para poder vir a esta grade rogar de mãos erguidas ao snr. Mendonça que não diga á desgraçada uma palavra que a póde matar; não lhe lance em rosto a falta de palavra, que seria affrontal-a e dar-lhe o ultimo empurrão para a sepultura.

—E disse eu já que vinha lançar em rosto a Carlota alguma falta? Não venho, minha senhora, não. Eu vim a querer enxugar-lhe as lagrimas que a minha apparição lhe fez chorar.