—Não te fallou por mim o meu bilhete d'esta tarde?
—O teu bilhete?... não... Dizias-me que era indispensavel fallares-me hoje... Não traduzi amargura n'isto... Cuidei que era uma saudade feliz e serena como a minha...
—Oh! não, minha querida, é uma saudade que me despedaça... é a saudade que...
—Como?! que linguagem é essa, Francisco! Não me tens agora aqui?! não sou eu tua para sempre?!
—Sei que serás, Carlota, sei... mas eu preciso que chores commigo para me ser menos amarga a minha dor... É forçoso que nos separemos por alguns dias... mezes... annos...
—Jesus! que nos separemos?! Onde vaes tu?
—Sou chamado immediatamente a Lisboa.
—A Lisboa!... para que és tu chamado a Lisboa, Francisco?
—Não sei... é uma ordem terminante do ministro.
—Oh meu Deus!... que lembrança terrivel!—exclamou com vehemencia Carlota—É impossivel! é impossivel!