Deixae-a viver, que Deus quer essa vida. Amparae-a nos braços, que ella de per si se erguerá e clamará:
—Estou viva: deixae passar a viuva do assassinado! O sangue que elle derramou, gelou-se em bronze, e pesa-me no coração. Deixae-me e vereis se eu era digna d'elle!
Maria ergueu-se uma noite, e falou de seu marido. As idéas embaralhavam-se desconcertadas; mas eram idéas do passado, do presente e do futuro. Pediu, instantemente, com as mãos erguidas, que a levassem á campa de seu marido.
—Deixem-n'a ir—disse o alcaide—e seja já. Vamos com ella. Quanto mais cedo rebentarem as lagrimas, mais depressa nos voltará a razão da infeliz.
Foi aberta a egreja. Maria ajoelhou sobre a fisga de uma campa, que lhe indicaram. Debruçou-se até collar os labios na lagem. Disse uma palavra, uma só, e nenhuma lagrima verteu.
Palavra tremenda, que o futuro disse depois qual era.
—Mas não chorou!—disseram as consternadas senhoras.{225}
—Ha de chorar—respondeu o pae.
N'essa mesma noite, disse Maria:
—Deixem-me ver a roupa que meu marido vestia quando o mataram.