—Pois não quero, filha? Que maior prova posso dar-te que esta? Cuidar em fazer-te condessa de Monção!...

—Não posso acceitar tal marido, meu pae...

—Não pódes?!—atalhou, em tom menos suave.

—Não posso ama'-lo... e não amar um esposo deve ser a maior das desgraças...

Maria das Dôres entrou n'este momento, e ouviu as ultimas palavras da filha, que tremeu ao ve'-la.

—E como sabes tu que não hasde amar o conde, se o não viste ainda?!—replicou o pae.

—Sei que me é impossivel ama'-lo... Póde ser um anjo do céo, que eu não o amarei... Casar sem affecto, meu pae, sacrificar-me por toda a minha vida, estando eu tão nova, deve ser muito triste. Antes um mosteiro; eu de boa vontade professo, e me irei esconder{100} e penar como filha desobediente; mas não me obriguem a casar, que eu tenho animo para me matar no dia seguinte.

—Tens razão, filha!—exclamou Maria das Dôres—Tens razão! Casamentos á força, em quanto eu fôr viva, não os tolero na minha casa. O homem vem ahi ámanhã. Se gostares d'elle, e elle gostar de ti, casem-se; se não, passe por lá muito bem o snr. conde, e tu deixa-te estar, que estás bem na tua casa.

—Que conselhos maternaes são esses, prima Maria das Dôres!—interrompeu Gonçalo.

—São conselhos, que minha mãe me não deu, primo Gonçalo. Repito: Maria Henriqueta não hade casar obrigada. Minha mãe, á hora da morte, pediu-me perdão de me ter obrigado a casar; e eu não quero nem heide pedir o mesmo perdão a minha filha.