—Temos uma grande lucta, Maria das Dôres!—exclamou o marido.

—Pois luctaremos—respondeu ella, esgrimindo com os braços e com a cabeça.—Maria Henriqueta! tu tens por ti a razão, e tua mãe... Veremos de quem é a victoria.

—Eu não queria que meus paes se indispozessem por minha causa—atalhou a menina—O que peço a ambos é que me queiram na sua companhia, e me deixem gosar o resto da minha mocidade. Sinto-me aqui feliz; para que heide eu ir procurar a felicidade onde eu sei que ella não está?

—Maria!—tornou severamente Gonçalo—Eu sei que{101} saíste de Lisboa apaixonada. Calei-me, cuidando que o teu brinquedo ficaria por lá esquecido com os devaneios da mocidade; e calei-me porque um pae deve fingir-se extranho a creancices sem resultado. Agora vejo que é grave o teu desvario, e aceito a obrigação de t'o corrigir. Vamos a perguntas, que te devia ter feito. Quem é o militar, que levantou da calçada uma carta lançada por ti?

Respondeu Maria passando da pallidez ao escarlate, e vibrando toda n'uma convulsão afflictiva.

—Responda, senhora!—repetiu o pae com o aspecto mal assombrado.

—Responde, Maria Henriqueta, diz a verdade—ajuntou a mãe, em tom de mansidão, e modos protectores.

Maria murmurou:

—Era um tenente de cavallaria... Chama-se Filippe Osorio Guedes da Fonseca... É de Mirandella, e é fidalgo...

Gonçalo expediu uma casquinada de riso, e disse: